27/06/2017 Sinpol visita DPPA de Canoas horas após rebeliãophoto

O diretor Institucional e Intersindical do Sinpol-RS, Sandro Quevedo, visitou hoje a DPPA de Canoas, horas após a ...

O diretor Institucional e Intersindical do Sinpol-RS, Sandro Quevedo, visitou hoje a DPPA de Canoas, horas após a ocorrência de rebelião na sala de triagem envolvendo 13 presos. Mais uma vez, o Sinpol chama a atenção para o caos em que vivem as delegacias do Estado. Por volta da 1h desta terça-feira (27/06), o grupo tentou fugir da DPPA após quebrar uma porta metálica na sala improvisada para a recepção dos detentos.

Os presos, que estavam revoltados com a impossibilidade de receber visitas na DPPA, foram contidos pelos policiais com o apoio da Brigada Militar. Na DPPA, o Sinpol encontrou uma situação limite para os trabalhadores da Polícia Civil e uma bomba relógio prestes a explodir com consequências desastrosas para toda a sociedade. As delegacias transformaram-se em minipresídios, sem estrutura para abrigar presos de diferentes níveis de periculosidade. O resultado são policiais no limite do estresse, com medo, desmotivados.

Superlotação

O Sinpol ouviu relato de colega, que prefere não se identificar contou que, de  que há alguns anos, a presença de dois presos no xadrez da delegacia já era motivo de preocupação. Hoje, a média é de 42 detentos em um local com capacidade para no máximo 20. Já houve momentos em que o número de presos chegou a 50. Alguns dos policiais civis que lidam com os detentos não sabem sequer o crime pelo qual ele foi preso, já que houve mudança na planilha de identificação dos mesmos.

 Risco aos vulneráveis

A DPPA não é local adequado para receber presos por um tempo prolongado por não apresentar estrutura de presídio. A sala adaptada para ser a triagem fica a menos de dois metros do atendimento da Sala Lilás, onde as mulheres vítimas de violência aguardam atendimentos, muitas vezes acompanhada de seus filhos. O atendimento do plantão também fica vulnerável à ação em caso de revolta dos detentos. A DPPA está localizada no bairro Mal Rondon, eminentemente residencial.

Trânsito de pessoas é fácil

Devido à estrutura e à grande circulação de pessoas em busca de atendimento, a DPPA não consegue isolar adequadamente os presos que podem ter contato com pessoas, inclusive receber objetos e mensagens. 

Sem segurança

Os Policiais Civis não tem treinamento e não está entre as suas atribuições fazer a guarda de detentos. Também enfrentam o baixo efetivo, que afeta as delegacias e ameaça ainda mais a segurança das pessoas que buscam atendimento e da comunidade do entorno das delegacias.

Saída de antigos devido à estresse

Pelo menos seis policiais civis deixaram a DPPA de Canoas nos últimos meses devido à situação limite em que viviam. Há relatos de profissionais chorando em corredores, abatidos, com estado emocional completamente alterado pela situação das carceragens. O resultado são delegacias sem a experiência dos antigos, com policiais civis em início de carreira.

Facções

Por ser um minipresídio, as carceragens enfrentam os mesmos problemas dos grandes estabelecimentos prisionais, a guerra de facções. Além de precisarem lidar com a superlotação, os policias precisam gerenciar as celas para que facções rivais não fiquem juntas por imposição das facções e para evitar um mal maior. A atitude evita tumultos. Há relatos de que as celas das delegacias são divididas entre as duas principais facções atuantes no RS. Mesmo assim, a tensão é permanente entre as celas, que ficam próximas.

BMs

O sindicato também observou a presença de muitos policiais militares e viaturas no pátio da DPPA fazendo o acompanhamento de presos.

Visita ao Ministério Público

Na segunda-feira (26/06), a Diretoria do Sinpol-RS reuniu-se com o promotor Márcio Bressani, da Subprocuradoria Institucional de Justiça do Ministério Público do RS. O tema do encontro foi a superlotação das carceragens das DPPAs do Estado. O presidente da entidade sindical, Emerson Ayres, lembrou que o Sinpol representa todos os cargos da categoria e sustentou sua preocupação com o presente caos das delegacias. "Se nada for feito, o Estado viverá uma tragédia", afirmou Ayres. Leia a notícia aqui.

Postada por Carlos Matsubara